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Home Cabeamento estruturado Testes de cabeamento estruturado

CertiFiber Max no Versiv: certificação de trunks MPO em data centers com mais velocidade e rastreabilidade

Marcelo Barboza by Marcelo Barboza
19/02/2026
in Testes de cabeamento estruturado, Fibras ópticas
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CertiFiber Max no Versiv: certificação de trunks MPO em data centers com mais velocidade e rastreabilidade
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Introdução

A adoção de troncos ópticos com conectores multifibras (principalmente MPO) virou rotina em muitos data centers — por densidade, organização e rapidez de implantação. O problema é que, em vários projetos, o método de certificação ainda fica “preso” no mundo duplex: fan-outs, mais conexões temporárias, mais passos e mais variabilidade.

Nesse cenário, a Fluke Networks anunciou o CertiFiber™ Max Optical Loss Test Set para a plataforma Versiv™, voltado a testes multifibras em ambientes de alta densidade. Segundo o fabricante, o módulo mede perda, comprimento e polaridade de até 24 fibras em 1 segundo, com conexão nativa a MPO e MMC (incluindo configurações pinned e unpinned).

Neste artigo, eu explico o que foi lançado, onde isso muda o jogo na prática e como conectar o assunto a boas práticas e referências normativas.

O curso DC100 (Fundamentos em Infraestrutura de data centers) pré-gravado introduz o aluno ao mundo dos data centers, apresentando os fundamentos dos principais elementos e disciplinas de engenharia que compõe a infraestrutura desses ambientes críticos de processamento e armazenamento de dados – os data centers.

Resumo

  • O que é: módulo OLTS (Tier 1) multifibra para a plataforma Versiv (Fluke Networks).
  • Para quem: equipes que certificam trunks MPO em data centers (OM4/OM5/OS2).
  • O que mede: perda óptica, comprimento e polaridade (informação do fabricante).
  • Promessa de velocidade: até 24 fibras em 1 segundo (informação do fabricante).
  • Valor real: reduzir tempo, etapas e erros na certificação, mantendo rastreabilidade.
  • Boas práticas: referência correta (ex.: 1-jumper), TRC disciplinado e inspeção/limpeza.
  • Normas: ABNT como base, com alinhamento a ISO/IEC e TIA.

O que é o CertiFiber Max

O CertiFiber Max é um conjunto para teste de perda óptica (OLTS, usado em Tier 1) integrado ao ecossistema Versiv/ProjX/LinkWare. A proposta do lançamento é tornar o teste multifibra (em MPO/MMC) algo mais direto e operacionalmente consistente, sem depender de adaptações típicas do “mundo duplex”.

O que o fabricante destaca

De acordo com o material oficial do produto e o vídeo de lançamento, os principais pontos são, de acordo com informações do fabricante:

  • Velocidade: medir até 24 fibras em 1 segundo.
  • Conexão nativa: adaptadores UniPort™ para conectar direto em MPO/MMC.
  • Padrões suportados: MPO 12/16/24 e MMC 16/24, incluindo pinned e unpinned.
  • Referência 1-jumper: o fabricante afirma ser o método preferido e o de menor incerteza.
  • Rastreabilidade: integração com ProjX e exportação via LinkWare.
  • Inspeção opcional integrada: com câmeras FI, registrando PASS/FAIL e evidências.

Por que isso importa para trunks MPO em data centers

Em data centers, o MPO costuma aparecer por três motivos simples: alta densidade, padronização e velocidade de implantação. Só que a certificação pode virar gargalo quando o processo cria etapas adicionais.

Onde o método tradicional dói

Quando o trunk MPO é testado com abordagem “duplex” (fan-out/breakout), é comum ver:

  • Mais conexões temporárias (mais sujeira e variabilidade);
  • Mais tempo por link (a obra termina, mas o aceite “não fecha”);
  • Mais chance de erro de identificação e polaridade;
  • Mais retrabalho por divergência de limites, método de referência e documentação.

O que muda com multi-fibra nativo

Uma solução que testa várias fibras ao mesmo tempo tende a:

  • Reduzir passos e acessórios em campo;
  • Aumentar consistência e repetibilidade;
  • Ajudar no controle de polaridade e organização do projeto;
  • Facilitar relatórios e rastreabilidade para auditoria e garantia.

Principais funcionalidades

Aqui é onde o CertiFiber Max se posiciona como “ferramenta de produtividade” para quem certifica trunks MPO e MMC em escala.

1) Teste Tier 1: perda + comprimento + polaridade

Segundo o fabricante, o CertiFiber Max entrega:

  • Perda óptica (insertion loss) por fibra e status de PASS/FAIL por link;
  • Comprimento;
  • Polaridade com indicação visual.

Dica: Tier 1 é o teste mais comum para aceite; quando falha e a causa não fica óbvia, entra Tier 2 com OTDR (veja seção mais abaixo).

Conector MMC

2) Ecossistema Versiv: ProjX e LinkWare

Em projetos grandes, o valor de um testador não está só na medição, mas em como ele ajuda a reduzir “erro humano”:

  • Padronização de configuração e limites;
  • Identificação e organização dos enlaces;
  • Exportação de resultados e evidências.

Isso tende a cortar um tipo de retrabalho bem comum: “o link mediu, mas o relatório não fecha”.

3) Inspeção e evidência

O material do fabricante reforça inspeção com critérios alinhados a IEC 61300-3-35 e a possibilidade de registrar evidências. Na prática, isso empurra a operação para um ciclo mais maduro:

  • Inspecionar → limpar → reinspecionar → conectar/testar.

“Sem fan-out” não é só conforto — é controle de variabilidade

Quando você testa um trunk MPO convertendo para duplex, você adiciona conexões temporárias e interfaces que não fazem parte do link final. Isso aumenta tempo e pode aumentar a variabilidade do resultado. Um fluxo multifibra nativo tende a diminuir esse ruído operacional.

Boas práticas e normas: o que garante um resultado confiável

Ferramenta nova não substitui disciplina. O que sustenta um teste defensável é processo: método de referência, TRC adequado, inspeção/limpeza e documentação.

ABNT como base no Brasil

Para quem trabalha com aceitação de enlaces ópticos instalados, vale consultar a ABNT NBR 16869-2 (Cabeamento estruturado – Parte 2: Ensaio do cabeamento óptico).

Eu já comentei a publicação e os impactos práticos aqui: Norma nacional (ABNT) para testes em cabeamento óptico instalado. Nesse artigo, além do contexto de por que testar (tração, curvatura, torção, emendas, conectores, sujeira etc.), aparece algo crucial: norma não é só “o equipamento”. Ela inclui procedimentos, documentação, e discute incerteza, métodos de referência e interpretação de resultados.

Alinhamento com normas internacionais

A ABNT não está “sozinha” nesse tema. O Brasil acompanha conceitos presentes em referências internacionais (por exemplo, família ISO/IEC e documentos de boas práticas), além de coexistir com especificações e orientações amplamente usadas no mercado.

Para uma visão organizada das principais normas e famílias normativas, recomendo este material de apoio: Principais normas para cabeamento estruturado (ABNT, ISO/IEC e TIA).


Checklist rápido antes de certificar trunks MPO

  • Inspecione e limpe conectores (inspecionar → limpar → reinspecionar).
  • Confirme se é pinned ou unpinned e use acessórios corretos.
  • Selecione a polaridade esperada (Type A/B/C conforme projeto).
  • Faça referência pelo método correto (ex.: 1-jumper, quando aplicável).
  • Garanta TRCs em bom estado e registre verificação.
  • Use limites coerentes com a especificação do cliente e o projeto.
  • Padronize IDs e organização para relatório e rastreabilidade.

Referência 1-jumper e TRC: por que isso volta ao centro com MPO

O fabricante enfatiza o método 1-jumper como preferido e com menor incerteza. Independentemente da marca do instrumento, o ponto de fundo é: grande parte do erro em teste de perda nasce no setup, não no cálculo.

O que é TRC

TRC (Test Reference Cord) é o cordão de referência. Ele sofre desgaste, contaminação e variações que influenciam o resultado. Em ambientes MPO, onde há múltiplas fibras e alta repetição de conexões, TRC vira “parte do instrumento”.

Boa prática simples

Se um resultado parecer “bom demais” ou “ruim demais”, antes de culpar o link:

  • reinspecione/limpe,
  • refaça a referência,
  • valide o TRC.

Na prática, isso elimina boa parte das “falhas misteriosas”.


MPO: pinned/unpinned e polaridade

O vídeo de lançamento toca num ponto que muita gente só descobre “apanhando”: em MPO há gênero (pinos vs. sem pinos, ou pinned vs. unpinned) e isso muda completamente a forma de interconectar e testar.

MPO sem pinos/unpinned (esq.) e com pinos/pinned (dir.)

Além disso, polaridade não é cosmética. Para MPO, o próprio vídeo menciona as polaridades Type A, Type B e Type C e ressalta que é comum encontrar A ou B, mas o importante é testar o que o projeto exige, não “o que está funcionando por acaso”.

Polaridades tipo A, B e C de troncos MPO

O detalhe aqui é: em data center, um problema de polaridade pode custar horas (ou dias) porque:

  • o link pode “aparentemente” estar ok fisicamente,
  • mas o mapeamento de fibras não bate com o que o transceiver/aplicação espera.

Se o testador te dá um diagnóstico claro de polaridade e ainda documenta isso no relatório, você reduz discussões no aceite e acelera correções.


OM4, OM5 e OS2: onde entram no dia a dia

Você verá trunks MPO nesses três universos:

  • OM4: muito usado no data center, em distâncias curtas/moderadas, tipicamente abaixo de 150 m;
  • OM5: aparece em cenários específicos, especialmente com o uso de SWDM;
  • OS2: comum quando há necessidade de alcance e flexibilidade, na faixa de centenas de metros dezenas de quilômetros (ex.: interconexão entre data centers).

Independentemente da fibra, o ponto prático é: a certificação Tier 1 precisa ser feita com limites coerentes com a especificação do projeto e com as exigências da aplicação. E isso nos leva a dois cuidados:

  • Balanço de perda (budget) do link: o resultado medido tem que ser comparado com o que foi projetado/permitido.
  • Atenção ao “limite variável”: os limites de aceitação variam conforme número de conexões e emendas (o equipamento pede que você informe quantas conexões existem para calcular o limite do link).

Para calcular o balanço de perda, você pode usar esta calculadora:

https://claritytreinamentos.com.br/balanco-de-perda-optica/

Quando Tier 1 basta — e quando usar OTDR (Tier 2)

Um ponto que vale deixar claro, para evitar expectativa errada, é a diferença de propósito:

  • Tier 1 (OLTS): mede perda total do link, o comprimento e a polaridade. É o teste típico de aceite.
  • Tier 2 (OTDR): é o caminho quando você precisa localizar eventos (conector, emenda, dobra, reflexão) e diagnosticar causa.

O artigo citado acima sobre a NBR 16869-2 reforça o OTDR como ferramenta importante tanto para testes quanto para diagnóstico, incluindo recomendações de uso de fibras de lançamento e terminais e cuidados com zona morta.

Se o Tier 1 falhar e inspeção/limpeza/referência/TRC não explicarem, o OTDR passa a ser o instrumento natural para fechar o diagnóstico.


Nota de transparência sobre números do lançamento

Os números de desempenho citados neste artigo (ex.: “até 24 fibras em 1 segundo”, suportes e funcionalidades) são baseados no material público do fabricante e permanecem sob responsabilidade da Fluke Networks. Em projetos reais, o resultado final pode variar conforme procedimento, limpeza, TRC, conectores, topologia e condições de campo.

Cursos

Se você trabalha com instalação, certificação, aceite e diagnóstico — seja em cabeamento metálico ou fibra — vale considerar um caminho de formação que ajude a padronizar método, reduzir erro operacional e elevar a qualidade do relatório entregue ao cliente: Combo de Certificação de Cabeamento UTP e FO.


Perguntas frequentes (FAQ)

O que é Tier 1 e Tier 2 em testes ópticos?

Tier 1 é o teste de aceitação por perda (OLTS/LSPM). Tier 2 usa OTDR para detalhar e localizar eventos ao longo do enlace.

Por que o método de referência (ex.: 1-jumper) é tão importante?

Porque ele define o “zero” da medição e influencia a incerteza. Um método mais simples tende a reduzir variabilidade do setup e erro operacional.

O que é TRC e por que ele muda o resultado?

TRC é o cordão de referência. Ele sofre desgaste e contaminação e pode introduzir perda e instabilidade. TRC “ruim” gera testes inconsistentes.

Eu preciso mesmo inspecionar e limpar sempre?

Sim. Contaminação em faces finais é uma das causas mais comuns de FALHA e de resultados instáveis. O ciclo recomendado é inspecionar → limpar → reinspecionar.

O que significa MPO pinned/unpinned e por que devo configurar isso corretamente?

Define como o conector se acopla (com pinos vs sem pinos). Erro aqui pode causar falha de conexão, desgaste e leituras ruins.

Por que polaridade importa tanto em MPO?

Porque define o mapeamento de fibras. Um link pode estar íntegro (passa luz), mas a aplicação não funciona se o mapeamento não bate com o esperado (Type A/B/C conforme projeto).

Quando devo usar OTDR?

Quando o Tier 1 dá FALHA e a causa não se resolve com inspeção/limpeza, referência e TRC. O OTDR ajuda a localizar o evento e a causa.

OM4, OM5 e OS2 mudam o procedimento?

A lógica de Tier 1 é a mesma (perda e limites), mas mudam parâmetros como comprimento de onda e limites associados. O ponto-chave é seguir a especificação do projeto e boas práticas normativas.


Referências e links úteis

  • Página do produto (fabricante): https://www.flukenetworks.com/datacom-cabling/fiber-testing/certifiber-max-optical-loss-test-set
  • Vídeo de lançamento: https://www.youtube.com/watch?v=6X3Wind9rZI
  • Norma nacional e testes ópticos: https://claritytreinamentos.com.br/publicada-a-norma-nacional-de-testes-em-cabeamento-optico/
  • Normas para cabeamento estruturado: https://claritytreinamentos.com.br/normas-para-cabeamento-estruturado/

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Marcelo Barboza

Marcelo Barboza

Instrutor, consultor e auditor da área de cabeamento estruturado e infraestrutura de data centers. Formado pelo Mackenzie, possui mais de 35 anos de experiência em TI, membro das comissão de estudos sobre cabeamento estruturado e data centers da ABNT, certificado pela BICSI (RCDD e DCDC), Uptime Institute (ATS) e DCPRO (Data Center Specialist & Practitioner). Instrutor autorizado para cursos selecionados da DCD Academy, Fluke Networks, Instituto Brasil Pós, Panduit e Clarity Treinamentos. Assessor para o selo de eficiência para data centers – CEEDA.

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